Fundamentos em
Bio-Neuro Psicologia

Segundo a CID-10, nestes transtornos, a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou afeto, usualmente para depressão (com ou sem ansiedade associada) ou elação. Essa alteração de humor é normlmente acompanhada por uma alteração no nível global de atividade e a maioria dos outros sintomas é secundária ou facilmente compreendida no contexto de tais alterações. A maioria desses transtornos tende a ser recorrente e o início dos episódios individuais é frequentemente relacionado com eventos ou situações estressantes.

 

 

Transtorno Afetivo Bipolar

 

Conceito

O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância, em um mesmo indivíduo, de períodos onde há uma elevação do humor e aumento de energia e atividade (episódios maníacos) com outros períodos onde há rebaixamento do humor e diminuição de energia e atividade (episódios depressivos). Em função da alternância entre esses dois episódios, o transtorno é classificado como bipolar. Entre os episódios, há um período de humor normal e a incidência em ambos os sexos é aproximadamente igual.

Os episódios maníacos geralmente começam abruptamente, e duram em média ao redor de 4 meses. Os episódios depressivos duram ao redor de 6 meses e ambos freqüentemente se seguem a situações de estresse ou traumas mentais, podendo ocorrer em qualquer idade. Para serem diagnosticados como episódio maníaco ou episódio depressivo, devem perdurar por no mínimo duas semanas.

 

Sintomas

O episódio depressivo é caracterizado pelos seguintes sintomas:

 

· Humor deprimido, energia reduzida;

· Perda de interesse e prazer;

· Concentração e atenção reduzidas;

· Auto-estima e autoconfiança reduzidas;

· Idéias de culpa e inutilidade;

· Perturbações do sono;

· Visões pessimistas do futuro;

· Podem estar presentes idéias delirantes e alucinações.

 

O episódio maníaco é caracterizado pelos seguintes sintomas:

 

· Euforia ou alegria patológica;

· Taquipsiquismo;

· Agitação psicomotora;

· Exaltação;

· Logorréia;

· Perturbações do sono;

· Podem estar presentes delírios de grandeza ou de poder e alucinações.

 

Tratamento

Estabilizadores de humor como o lítio, ou anticonvulsivantes como ácido valpróico ou a carbamazepina, são atualmente tratamentos de comprovada eficácia tanto na fase aguda quanto de manutenção. São usados tranqüilizantes para as fases de mania e antidepressivos para as fases depressivas. Tomografia computadorizada ou ressonância magnética e eletroencefalograma são segundas opções para pacientes resistentes ao tratamento. Recomenda-se o uso de neurolépticos nas fases mais agudas e para pacientes com graves dificuldades comportamentais e sociais, utiliza-se a ECT ou eletroconvulsoterapia. O uso de fármacos possibilitou o controle das graves alterações comportamentais das crises maníacas e das crises depressivas, permitindo a associação das psicoterapias ao tratamento do transtorno bipolar. A terapia familiar é especialmente indicada no caso de pacientes com graves prejuízos familiares e sociais, auxiliando-os em suas relações.

 

 

 

Depressão

 

O termo depressão tanto pode ser utilizado como sinônimo de uma reação “normal” de tristeza, como pode significar uma síndrome, isto é, um agrupamento de sintomas. Ou pode ainda tratar-se de uma patologia, classificada como um transtorno de humor (afetivo), onde os sintomas devem causar um sofrimento clinicamente significativo, com prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Na depressão, o humor vital independe da vontade da pessoa. Além disso, as manifestações depressivas são muito variáveis e extremamente dependentes da estrutura psíquica da pessoa, da sua particularidade. A cultura também apresenta grande influência na forma como a depressão será vivida e comunicada. Portanto, é indispensável que o indivíduo que manifeste sintomas depressivos, procure ajuda especializada. .

 

Definição

A Depressão se caracteriza por uma alteração do Humor Vital, fazendo com que o indivíduo vivencie alterações em suas funções afetivas, intelectivas e cognitivas. Pode apresentar um ou mais episódios depressivos e com curso variável.

 

Sintomas

Segundo o CID-10, o Episódio Depressivo é caracterizado por:

 

- humor deprimido

- perda de interesse e prazer

- diminuição ou aumento do apetite

- insônia terminal ou hipersonia

- agitação ou retardo psicomotor

- fadiga ou falta de energia

- sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada

- diminuição da capacidade de pensar, concentrar-se ou tomar decisões

- pensamentos de morte; ideação suicida; tentativas de suicídio

 

Para que seja diagnosticado um Episódio Depressivo Maior, 5 ou mais dos sintomas devem estar presentes por, pelo menos, um período de 2 semanas, representando uma alteração significativa do funcionamento anterior da pessoa. Sendo que um dos sintomas deve ser o humor deprimido ou a perda de interesse ou prazer.

 

Os sintomas citados acima dizem respeito a forma típica da Depressão. Entretanto, alguns deprimidos podem apresentar sintomas ansiosos (Pânico, fobias...) e somatiformes: Depressão Atípica.

 

 

Classificação

O Episódio Depressivo é classificado segundo a sua gravidade em:

 

· Leve: Geralmente presentes 2 ou 3 dos sintomas citados acima. O paciente sofre com a presença destes, mas, provavelmente, ainda é capaz de desempenhas a maior parte de suas atividades.

· Moderado: Geralmente presentes 4 ou mais dos sintomas. O paciente já apresenta muita dificuldade em continuar a desempenhar suas atividades rotineiras.

· Grave Sem Sintomas Psicóticos: Vários dos sintomas são marcantes e angustiantes. Sendo típica a perda da auto-estima e idéias de desvalia ou culpa. Nesta fase, idéias e atos suicidas são comuns. Observa-se, ainda, uma série de sintomas ´somáticos`.

· Grave Com Sintomas Psicóticos: Igual à descrição anterior, porém acompanhado de alucinações ou ilusões, idéias delirantes (geralmente de culpa, indignidade, ruína, pecado e/ou auto-acusação) e de uma lentidão psicomotora ou de estupor com uma tal gravidade que todas as atividades sociais tornam-se impossíveis. Nesse nível há risco de morte por suicídio, de desidratação ou de desnutrição. Importante ressaltar que as alucinações e os delírios podem não corresponder ao caráter dominante do distúrbio.

 

Diagnóstico Diferencial

Determinadas condições clínicas podem ser confundidas com Transtorno Depressivo de Humor, como:

 

· Depressão como resultado de condição médica geral (como consequência direta desta). Ex: Tuberculose, Mal de Parkinson, Esclerose Múltipla, doenças cardiovasculares, câncer...

· Depressão como efeito colateral do uso de alguma substância (drogas de abuso, medicamentos ou toxinas).

· Luto patológico.

· Pseudodemência

· Distimia

· Transtorno Esquizoafetivo

· Sintomas depressivos sobrepostos a Esquizofrenia, Transtorno Esquizofreniforme, Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação.

· Transtorno Somatomórfico

· Transtorno Bipolar.

 

Epidemiologia

No seu último relatório, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima uma prevalência do episódio depressivo em 1,9% no sexo masculino e 3,2% no feminino. Afirma ainda que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres terão um episódio no período de 12 meses.

O transtorno depressivo é 50% a 75% mais diagnosticado em mulheres do que em homens.

A incidência é maior nas idades médias (entre 25 e 40 anos), porém, infelizmente, é cada vez maior o número de casos ocorridos durante a adolescência e início da vida adulta.

Cerca de 15 a 25% dos deprimidos cometem suicídio.

 

Etiologia

A etiologia da Depressão não é conhecida, assim como na maioria dos distúrbios psiquiátricos. A teoria mais aceita é que seja um transtorno bio-psico-social, uma vez que estes fatores estão comprovadamente implicados na aparição, desenvolvimento e prognóstico deste. Atualmente, se acredita que um desequilíbrio entre funções serotoninérgicas e noradrenérgicas é determinante no seu aparecimento.

 

Tratamento

Se não tratado corretamente, o episódio depressivo pode durar de 6 a 15 meses. Em contrapartida, com o devido tratamento este período diminui para 8 a 12 semanas. No entanto, a Depressão tem uma grande tendência a reincidir e/ou cronificar. Por isso, é importante que a pessoa deprimida saiba que mesmo com uma boa resposta ao tratamento, pode haver uma recaída.

O melhor tratamento é a combinação da farmacoterapia com a psicoterapia.

No tratamento farmacológico são utilizados os antidepressivos. Sendo importante ressaltar que o efeito só aparece de 2 a 6 semanas após o início do uso e a comprovação do sua eficácia no paciente só se dá com a sua utilização. Assim, pode haver a necessidade de mudar a medicação. É necessário ainda uma regulagem da dose para se chegar a um nível ideal, aonde haja uma completa abolição dos sintomas. Estudos indicam que o uso contínuo durante 6 meses diminui em até 50% o risco de recaída.

Já o tratamento psicoterápico é indispensável, uma vez que a depressão desestrutura as relações interpessoais da pessoa e traz sentimentos de perplexidade, levando a questões existenciais como “Por que eu?”. Ainda, apesar de não ser uma causa direta, as frustrações vividas e a existência de uma personalidade pré-mórbida depressiva desempenham, muitas vezes, papel fundamental no entendimento da Depressão.

“As terapias interpessoal e cognitivo desenvolveram enfoques especificamente para o tratamento da depressão. A psicoterapia orientada para o insight, psicanaliticamente orientada, terapia comportamental e terapia familiar, também podem ser usadas no tratamento da depressão. A seleção da terapia apropriada depende das variáveis do paciente e da experiência do médico.” (Kaplan & Sadock, pp. 402)

 

 

 

 

Bibliografia:

 

- Organização Mundial de Saúde (coord.). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10. Diretrizes clínicas e diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

 

- Kaplan H.I. & Sadock B.J. (1993): Compêndio de Psiquiatria. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas.

 

- Nunes P., Bueno R. & Nardi (2001): Psiquiatria e Saúde Mental - Conceitos Clínicos e Terapêuticos Fundamentais. São Paulo, Edit. Atheneu.

 

http://www.marcelomarcia.na-web.net/depressao.html

 

http://www.mentalhelp.com/depressao_puerperal.htm

 

http://www.psiqweb.med.br/deptexto.html

 

CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas

www.psiqweb.med.br

 

Onde Pedir Ajuda:

 

www.abcdasaude.com.br

 

www.debates.hipernet.ufse.br

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