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Bio-Neuro Psicologia

A ansiedade é uma característica do ser humano. Devido à modernidade, a ansiedade tornou-se uma característica do indivíduo a ser trabalhada e estudada já que esta emoção vem se transformando em um estado patológico, ou seja, um transtorno.

 

 Segundo o DSM.IV podemos classificar os Transtornos de Ansiedade em:

 

- Agorafobia;

- Ataque de Pânico;

- Transtorno do Pânico

- Transtorno de Pânico Sem Agorafobia;

- Transtorno de Pânico Com Agorafobia;

- Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico;

- Fobia Específica;

- Fobia Social;

- Transtorno Obsessivo-Compulsivo;

- Transtorno de Estresse Pós-Traumático;

- Transtorno de Estresse Agudo;

- Transtorno de Ansiedade Generalizada;

- Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral;

- Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância;

- Transtorno de Ansiedade Sem Outra Especificação.

 

Procuramos aqui esclarecer um pouco mais sobre alguns tipos de Transtornos de Ansiedade:

 

Transtorno de Ansiedade Generalizada

 

Sintomas

Já que a ansiedade é uma grande mobilizadora de desarmonias do Sistema Nervoso Autônomo, a sintomatologia do Transtorno de Ansiedade é rica em elementos internos e autônomos. Portanto, neste tipo de transtorno encontramos não apenas uma sintomatologia psíquica mas, sobretudo, física. Para que o diagnóstico da Ansiedade Generalizada possa ser feito é necessário que outros transtornos de ansiedade como pânico, por exemplo, tenham sido descartados. E para diferenciá-la de uma ansiedade normal leva-se em conta o tempo de duração dos sintomas.

Caso uma pessoa permaneça com uma ansiedade excessiva ou preocupação constante com motivos injustificáveis ou desproporcionais por mais de seis meses, esse diagnóstico poderá ser cogitado, mesmo que essas pessoas passem dias ou até períodos sem manifestar qualquer sintoma.

Os sintomas físicos mais comuns são: enjôo, sudorese, calafrios ou rubores, dificuldade ao engolir, boca seca, sustos exagerados e freqüentes, insônia, falta de ar, fadiga, dor muscular, tontura. Entre outros como: impaciência, irritabilidade, dificuldade de concentração, falhas na memória. Nos adultos não é necessária a presença de todos esses sintomas para que o diagnóstico de Ansiedade Generalizada seja feito, apenas três desses sintomas são necessários. No caso de crianças, um desses sintomas já serve como ponto de alerta.

 

Etiologia

As causas dessa patologia envolvem fatores biológicos e psicossociais.

Os psicossociais são atribuídos aos medos, problemas e angústias do dia-a-dia, assim como o ritmo de vida, que atualmente vem sendo cada vez mais competitivo e estressante.

Já as causas biológicas ficam por conta das alterações dos neurotransmissores que interferem na ansiedade, sendo os principais a serotonina e o ácido gama-aminobutírico (GABA).

 

Tratamento

O tratamento engloba intervenções medicamentosas e tratamento psicoterápico, ainda que ambos podem ser realizados de diversas formas.

No caso farmacológico, os benzodiazepínicos , antidepressivos, fluoxetina e buspirona são os mais utilizados e recomendados de acordo com a individualidade de cada um. A terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado a mais eficaz na resolução de problemas de ansiedade, por dispender de um tempo menor na devida obtenção de resultados. Apesar de sua eficácia, outras formas de terapia podem ser utilizadas.

 

 

 

Transtorno de Ansiedade induzido por substância psicoativa

 

Sintomas

Segundo o CID-10, o transtorno de ansiedade induzido por substância é caracterizado pela presença de sintomas comuns a outros transtornos de ansiedade (Ex: ataques de pânico, fobias, compulsões), sendo estes sintomas acarretados por ingestão de substâncias como: álcool, cafeína, cocaína, maconha, anfetaminas, LSD, inalantes, heroína, tranquilizantes, dentre outros. Durante ou dentro de um mês em que há intoxicação ou abstinência de uma ou mais substâncias, os sintomas aparecem.

 

Etiologia

O diagnóstico de transtorno de ansiedade induzido por substância é realizado quando os sintomas de ansiedade persistirem após o período de ingestão e abstinência, sendo estes avaliados pelo médico. Este diagnóstico só deverá ser dado quando se descartar a hipótese de que os sintomas de ansiedade acarretados não estão atrelados à síndrome de intoxicação ou abstinência e quando os sintomas persistentes são suficientemente severos para indicar uma atenção clínica independente. Geralmente o transtorno de ansiedade induzido por substância é decorrente do uso de drogas de uso social (álcool, por exemplo) e por drogas prescritas por médicos (as anfetaminas, por exemplo, que estão presentes em fórmulas para emagrecimento). A ingestão de determinadas substâncias e decorrentes quadros de ansiedade desenvolvidos, acarretam um sofrimento no indivíduo envolvido, já que há prejuízo clínico e no seu funcionamento social, emocional, ocupacional, dentre outras áreas da vida do sujeito.O início pode ocorrer durante o uso excessivo (quando há intoxicação) ou durante a abstinência (logo após interrupção do uso).

 

Tratamento

Este transtorno requer especial cuidado ao ser diagnosticado. Deve-se lembrar que outros transtornos psiquiátricos podem ser induzidos por substâncias, dependendo assim da propensão de cada indivíduo. O tratamento baseia-se na remoção do uso da(s) substância(s) envolvida(s) no quadro. Se os sintomas de ansiedade ainda persistirem, o diagnóstico deverá ser revisto, podendo ser considerado outras possibilidades diagnósticas. O tratamento se dará de forma completa quando houver um acompanhamento médico (principalmente envolvendo exames laboratoriais que constatem os níveis de presença da substância ingerida) e quando o indivíduo em questão estiver disposto a entender o porque do início ingestão da determinada substância. Neste último caso, recomenda-se a iniciação de uma psicoterapia voltada para as questões do indivíduo, onde este possa compreender melhor seu funcionamento.

 

 

Transtorno do Estresse Pós-Traumático

 

Sintomas

Surgem sintomas subjetivos e objetivos após a exposição a um evento estressor traumático. Pode ter sido uma experiência direta ou um testemunho. São mais comuns os casos de seqüestro, assalto, estupro, tortura, acidentes ou desastres naturais.

Os sintomas subjetivos característicos são: recordações aflitivas recorrentes ao evento traumático, sonhos repetitivos também relacionados a ele, flashbacks e alucinações como se o evento estivesse ocorrendo novamente. Em crianças é mais comum o desinteresse por atividades e perda da afetividade assim como um sentimento de pouca durabilidade da vida. Tais sintomas acarretam alguns dos possíveis sintomas objetivos como: dificuldade de dormir, irritabilidade e dificuldade de concentração. Nas crianças também é comum que ocorram dores de cabeça e dores abdominais. O quadro desses sintomas pode levar o paciente à depressão ou ansiedade constante.

Os sintomas normalmente aparecem nos três primeiros meses após o trauma. Ainda que um início tardio possa ocorrer pelo menos seis meses após o estressor.

O transtorno se estabelece como agudo se a duração dos sintomas for inferior a três meses e como crônico se for superior a três meses.

 

Etiologia

Esses sintomas subjetivos e objetivos surgem após a exposição a um evento estressor traumático. Pode ter sido uma experiência direta ou um testemunho. São mais comuns os casos de seqüestro, assalto, estupro, tortura, acidentes ou desastres naturais.

No Transtorno do Estresse Pós-Traumático o estressor é sempre de natureza extrema, ou seja, ameaçador à vida. Ainda que nem toda pessoa exposta a esse tipo de estressor será necessariamente diagnosticada no quadro de transtorno do Estresse Pós-Traumático.

Em relação às funções biológicas, pesquisas evidenciam hiper função do eixo simpato-adrenal, assim como redução do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

 

Tratamento

O tratamento inclui abordagens psicoterapêuticas assim como intervenção medicamentosa.

A abordagem terapêutica mais utilizada é a terapia Cognitivo-Comportamental e os antidepressivos são os medicamentos mais utilizados nesse tratamento, principalmente os com atividade serotonérgica.

 

 

Transtorno do Pânico

 

Sintomas

O Transtorno de Pânico é caracterizado pela presença de ataques súbitos de ansiedade acompanhados de sintomas físicos e emocionais. Esses ataques ocorrem de forma inesperada e atingem o pico máximo em até 10 minutos. Caracteriza-se como ataque de pânico um período distinto de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 de 13 sintomas somáticos ou cognitivos. Para ser considerado transtorno de pânico, o indivíduo deverá apresentar vários ataques graves de ansiedade autonômica no período de 30 dias.O Transtorno de Pânico pode ser acompanhado de Agorafobia ou não (Agorafobia é o medo não apenas de espaços abertos, mas também da presença de multidões e de situações nas quais um escape fácil e imediato é difícil; medo de estar sozinho, dependência).

 

Sintomas Físicos: Taquicardia, dor no peito, falta de ar, tonteira, sensação de desfalecimento, sudorese, ondas de frio e calor.

 

Sintomas Emocionais: Medo de perder o controle, de morrer ou de enlouquecer.

 

Etiologia

Fatores emocionais, ambientais, cognitivos, hereditários e biológicos explicam a origem do transtorno de pânico no indivíduo. Pode se apresentar na infância ou vida adulta. Mudanças na rotina ou acontecimentos inesperados desencadeiam fatores estressantes emocionais proporcionando ataques de pânico.Pode haver alterações nas substâncias químicas (serotonina e noradrenalina) que existem naturalmente no cérebro e que são responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos entre uma célula e outra.

 

Tratamento

O tratamento do transtorno de pânico tem como objetivo minimizar os sintomas apresentados pelo indivíduo, fazendo com que este retorne ao seu curso normal de vida. Há indicação para psicoterapia e uso medicamentoso.

No que diz respeito à farmacologia, os medicamentos mais utilizados são os antidepressivos {Ex: Inibidores da Recaptação da Serotonina (Fluoxetina, Sertralina e Paroxetina) e Tricíclicos (Imipramina e Clomipramina). Eles têm como objetivo prevenir recaídas e controlar crises já que atuam no equilíbrio de algumas substâncias químicas do cérebro}.Deve-se lembrar que o uso destes medicamentos deverá ser indicado pelo médico.

Com relação à psicoterapia, a terapia cognitivo comportamental vem sendo a mais indicada para o tratamento inicial do transtorno de pânico devido ao tempo que se tem a obtenção de resultados. Isto não quer dizer que as demais abordagens psicológicas não possam ser utilizadas, respeitando assim a subjetividade de cada indivíduo.

 

 

Transtorno Obssessivo-Compulsivo (TOC)

 

Conceito

Segundo o DSM-IV, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) caracteriza-se pela presença de pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes. É um transtorno crônico que muitas vezes se inicia na infância entre 9 e 11 anos e acomete principalmente indivíduos até os 30 anos, podendo durar a vida toda. Afeta cerca de 2% da população geral e estima-se, portanto, que mais de 100 milhões de pessoas no mundo sofrem desse transtorno. Ocorre mais entre familiares de 1º grau do que na população em geral. Também é mais comum nas classes sociais baixas, entre indivíduos com conflitos conjugais, divorciados e desempregados.

Pensamentos obsessivos são idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do indivíduo insistentemente de forma deturpada. Eles não são em si mesmo agradáveis nem resultam na execução de tarefas necessariamente úteis. Na maioria das vezes, o indivíduo reconhece esse comportamento como despropositado ou ineficaz e seguidas vezes tenta resistir a ele, sendo portanto, muitas vezes freqüentes os sintomas de ansiedade. Existem diversos tipos de rituais e na maioria das vezes não possuem uma conexão direta com a realidade ou com o que se deseja prevenir, além de serem claramente excessivos (ex.: tentar prevenir uma doença apagando e acendendo a luz várias vezes).

Para um diagnóstico definitivo, sintomas obsessivos, atos compulsivos ou ambos devem estar presentes na maioria dos dias por pelo menos duas semanas consecutivas e sr uma fonte de angústia.

 

Alguns Tipos e suas Freqüências *

 

Obsessões Compulsões

medo de contaminação 45% verificar 63%

dúvida patológica 42% limpar 50%

nojo de funções fisiológicas 36% calcular 36%

organização excessiva 31% perguntar excessivamente 31%

agressividade 28% precisão excessiva 28%

obsessões sexuais 26% acumular 18%

várias obsessões 60% várias compulsões 48%

* Rasmussen S.A&Eisen J.L.:J.Clin.Psychiatry 1992; 53 (4,suppl.):4-10

 

Etiologias

Ainda não existe uma causa definida e provavelmente a união de vários fatores (biológicos, psicológicos, sociais e culturais) podem desencadear a doença.

 

Fatores Biológicos

As evidências nesse sentido são o fato de o TOC ocorrer em indivíduos com predisposição genética, após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais. Além disso, constatou-se que medicamentos que estimulam a função serotonérgica cerebral, reduzem os sintomas do TOC, o que pode significar a existência de um distúrbio neuroquímico nas sinapses. Também foi visto que certas zonas cerebrais são hiperativas em portadores do TOC, como por exemplo, a parte frontal do cérebro.

 

Fatores Psicológicos

É comum que alguns sintomas surjam após algum estresse psicológico e sabe-se também que conflitos psíquicos influem na manutenção e no agravamento desses sintomas. Os pacientes de TOC sentem-se normalmente ansiosos e desenvolvem os rituais como forma de neutralizar os pensamentos obsessivos e os atos compulsivos.

 

Fatores Culturais

Supõe-se que o tipo de educação mais severa ou exigente e o contexto social e familiar, possam também influenciar as crenças e regras de uma pessoa, criando um terreno propício para o aparecimento da doença.

 

 

TOC em Crianças

 

Nas crianças, as características do TOC são diferentes do adulto. O início pode ser lento e gradual ou abrupto e repentino (é difícil dizer quando se dá o início).

Na infância as compulsões vêm antes das obsessões, ao contrário do adulto. É importante diferenciar os sintomas de repetição das repetições normais da idade. Entre 2 e 4 anos as repetições e certos rituais fazem parte do desenvolvimento infantil, porque tranqüilizam a criança diante do novo e não atrapalham o seu desempenho..

A comorbidade é comum e um dos critérios para diagnosticar o TOC na criança é o prejuízo no desempenho esperado para a idade.

 

Tratamento

Os tratamentos conseguem, geralmente, melhorar a vida de 80% dos pacientes, em muitos casos chegam até a eliminar os sintomas, porém alguns não melhoram em nada ou muito pouco.

Os tratamentos mais modernos envolvem tanto medicamentos como os chamados antidepressivos, porém em doses mais elevadas, quanto a terapia cognitivo-comportamental.

A resposta ao tratamento não costuma ser imediata podendo demorar até 12 semanas para começar e, por isso, os medicamentos não podem ser interrompidos. O desaparecimento dos sintomas é gradual podendo ser progressivo ao longo dos meses.

Para os pacientes com transtorno crônico que apresentaram uma boa resposta ao tratamento feito apenas com medicação, é recomendado manter o tratamento por no mínimo 1 ano após o desaparecimento dos sintomas. Se tiverem feito também a terapia, manter por pelo menos 6 meses. Caso contrário, é muito comum haver recaída.

 

 

 

Referências Bibliográficas:

 

www.amban.org.br

www.doaj.org

www.neurociencia.com.br

www.plenamente.com.br

www.priory.com

www.psicosite.com.br

www.psiqweb.med.br

www.ufrgs.br

 

- DSM – IV- Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 4a.ed., Porto

Alegre, 1995.

 

- Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Delgarrondo,P.Porto Alegre, Ed. Artmed, 2000.

 

 

Onde Buscar Ajuda:

 

www.neurociencia.com.br

www.psiqweb.med.br

 

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