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Bio-Neuro Psicologia

Segundo o CID-10, a demência pode ser caracterizada, de uma forma geral, como uma síndrome decorrente de uma doença cerebral, que costuma ser crônica ou progressiva, na qual há pertubação de múltiplas funções subcorticais superiores, incluindo memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento. Muitas vezes, estes comprometimentos cognitivos são acompanhados por dificuldades de controle emocional, comportamento social ou motivação. Além disso, a demência costuma causar interferências em atividades do dia-a-dia, como limpeza, vestimenta, alimentação, higiene pessoal e atividades fisiológicas. A grande maioria dos casos de demência ocorrem entre pessoas idosas, mas é possível que ocorram também entre adultos e até entre jovens. A etiologia, o tratamento e a evolução dos casos de demência variam de acordo com cada tipo específico. Selecionamos os três tipos mais comuns para abordar aqui: a demência vascular, a demência na doença de Parkinson e a demência na doença de Alzheimer.

 

 

Demência vascular (anteriormente chamada de arteriosclerótica)

 

É o segundo caso mais comum de demência (depois da demência na doença de Alzheimer), representando de 10 a 30% do total de casos.

Apresenta características muito semelhantes às da demência na doença de Alzheimer, mas com um início abrupto e um curso gradualmente deteriorante. Além disso, costuma ocorrer mais tarde: a partir dos 80 anos de idade.

 

1. Sintomas

Em geral, seu início se dá por uma história de ataques isquêmicos transitórios com breve comprometimento de consciência, paralisias fugazes ou perda da visão. A demência pode também se seguir a uma sucessão de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) agudos ou, mais raramente, a um único ataque apoplético importante. Aparece então algum comprometimento de memória e pensamento.

Aspectos associados são: hipertensão, sopro carotídeo, labilidade emocional com humor depressivo transitório, choro ou riso explosivo e episódios transitório de obnubilação de consciência ou delirium (freqüentemente provocados por infartos subseqüentes). Apenas em poucos casos há alterações na personalidade: apatia, desinibição ou acentuação de traços prévios, tais como egocentrismo, atitudes paranóides ou irritabilidade.

 

2. Etiologia

A demência vascular é usualmente o resultado de infartos do cérebro decorrentes de doenças vasculares, incluindo a doença cerebrovascular hipertensiva. Os infartos costumam ser pequenos, mas cumulativos em seu efeito.

São considerados fatores de risco para o desenvolvimento desta enfermidade: o tabagismo, a diabete, a hipertensão arterial, as arritmias e uma vida sedentária com má alimentação.

 

3. Tratamento

Ainda há necessidade de mais pesquisas para que se desenvolva um medicamento eficaz para o tratamento da demência vascular. Atualmente, alguns medicamentos podem apenas retardar a evolução da doença em fases iniciais.

É importante, portanto, investir em prevenção: recomenda-se uma vida saudável, com boa alimentação, exercícios físicos, estímulo da atenção e do aprendizado, controle das dislipidemias, da hipertensão arterial e do tabagismo.

 

 

 

Demência na doença de Parkinson

 

Estima-se que, de cada 100.000 pessoas, há uma prevalência de 85 a 187 que desenvolvem a doença de Parkinson. A incidência em homens é ligeiramente maior que em mulheres.

Trata-se de uma das doenças neurológicas que mais acometem os idosos, e se caracteriza por ser crônica, progressiva, degenerativa e de início insidioso.

A faixa etária mais acometida se situa entre 50 e 70 anos, com pico aos 60 anos. Porém, pacientes com idade inferior a 40 anos ou mesmo 21 anos também podem ser acometidos pela moléstia. No primeiro caso, fala-se em parkinsonismo de início precoce e, no segundo, em parkinsonismo juvenil.

A demência se desenvolve no curso de uma doença de Parkinson já estabelecida, especialmente nos seus casos mais graves.

 

1. Sintomas

Pode-se dividir os sintomas da doença de Parkinson entre motores e não motores. No primeiro grupo, os principais são: tremores em repouso, rigidez e instabilidade postural e lentificação dos movimentos (bradicinesia). No segundo grupo, incluem-se: fadiga, perda de peso, sintomas sensoriais (parestesias, dores, disfunção visual, olfativa e vestibular) e, disfunções autônomas (desregulação respiratória, rubor, “sudorese profusa”, constipação, seborréia, desfunção esfincteriana e sexual, entre outras). É neste segundo grupo que se inclui também a demência na doença de Parkinson, cujos comprometimentos cognitivos, aliados aos motores, geram incapacidades comparáveis às provocadas por AVCs.

Os sintomas mais específicos da demência em Parkinson são desorientação espacial e paranóia, podendo inclusive gerar quadros de psicose e alucinações. Outros sintomas associados são: bradifenia (pensamento lento, perda da concentração, dificuldade na formação de conceitos), alterações da personalidade (apatia, falta de confiança, medo, ansiedade, labilidade emocional e inflexibilidade, afastamento social e dependência). Também podem ocorrer distúrbios do sono, perda da libido e depressão.

 

2. Etiologia

Os sintomas da doença de Parkinson se manifestam pela degeneração das células produtoras de dopamina. Esta degeneração pode ocorrer pela ação de neurotoxinas ambientais, pela produção de radicais livres ou por anormalidades mitocondriais. Levam-se em consideração também a pré-disposição genética e o processo natural de envelhecimento cerebral.

 

3. Tratamento

Embora se trate de uma doença crônica e degenerativa, existem tratamentos que ajudam o paciente a ter uma vida normal nos primeiros anos e uma longevidade semelhante à que teria sem a enfermidade.

São utilizados medicamentos que aumentam a atividade dopaminérgica (que está diminuída) e/ou que diminuam a atividade colinérgica (que está aumentada). Entre eles, os mais utilizados são: agonistas dopaminérgicos diretos, anticolinérgicos, inibidores da COMT, e substâncias como a levodopa, a amantadina e a selegilina.

Porém, estes medicamentos podem provocar efeitos colaterais importantes, portanto só podem ser ministrados por um médico.

Outra opção de tratamento é a neurocirurgia, pela qual é provocada uma pequena lesão em determinada área do cérebro. Em algumas partes do mundo, estão realizando experiências bem sucedidas com a implantação de eletrodos (marca-passos) em áreas profundas do cérebro, ou a implantação de células fetais para reparar o desaparecimento das células provocado pela enfermidade.

Geralmente, há uma tendência de que o paciente se acomoda em sua casa, fazendo poucos movimentos, sendo cuidado por um atendente ou familiar. Entretanto, exercícios físicos são altamente recomendáveis, assim como sessões de fisioterapia.

 

 

 

Doença de Alzheimer

 

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de declínio das funções mentais do idoso em todo o mundo, representando um grande problema não só para os pacientes afetados, mas também para as pessoas que cuidam desses pacientes. Ela é um tipo específico de demência, normalmente conhecida pelo público leigo pelo termo esclerose ou caduquice, sendo um distúrbio que acarreta perda progressiva das funções cognitivas.

Na doença de Alzheimer, a perda progressiva das funções cognitivas do indivíduo leva ao prejuízo da memória, afetando simultaneamente alguma outra função intelectual ou ainda provocando uma alteração no comportamento.

A doença de Alzheimer atinge células nervosas do cérebro, principalmente as que se relacionam à memória e ao comportamento, causando-lhes destruição e consequentemente resultando em atrofia cerebral.

O início da doença é de difícil percepção, já que normalmente ocorre de maneira gradual, sendo as primeiras manifestações relacionadas à falhas de memória. Sabe-se que a doença afeta cerca de 5% da população com mais de 65 anos de idade. Atualmente,17 a 25 milhões de pessoas são afetadas pela doença.

Para pacientes e familiares, a doença de Alzheimer tem conseqüências físicas e emocionais. O declínio da funções intelectuais e as alterações do comportamento característicos da doença, fazem com que o paciente perca aos poucos a capacidade de realizar as tarefas rotineiras, tornando-o cada vez mais dependente de cuidados.

 

Sintomas

Dez sinais de alerta sobre a doença de Alzheimer:

- Perda da memória recente afetando a capacidade de trabalho

- Dificuldades em desempenhar tarefas familiares

- Problemas de linguagem

- Desorientação no tempo e no espaço

- Diminuição da capacidade de decisão

- Problemas com o pensamento abstrato

- Confundir os lugares das coisas;

- Mudanças na personalidade;

- Mudanças no humor e no comportamento;

- Perda de iniciativa.

 

No início, os pequenos esquecimentos, normalmente aceitos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, vão se agravando gradualmente.

Com a evolução da doença, os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, apresentando alterações de personalidade, distúrbios de conduta e terminam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos, quando colocados em frente ao espelho.

À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, advém as dificuldades de locomoção, a comunicação se inviabiliza e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para atividades elementares do cotidiano como alimentação, higiene, se vestir, etc.

 

Etiologia

Em 1907, um médico alemão Dr. Alois Alzheimer descreveu essa desordem. As causas da DA estão relacionadas com certas mudanças nas terminações nervosas e células cerebrais que interferem nas funções cognitivas.

A real causa da doença ainda não é conhecida pela ciência, embora vários avanços científicos tenham ocorrido nessa área. Existem várias teorias como: vírus lento, proteínas anormais, desequilíbrio bioquímico, intoxicação por alumínio e perda na quantidade de sangue e oxigênio. Porém de concreto, se aceita que seja uma doença geneticamente determinada, não necessariamente hereditária.

A DA se enquadra no grupo das doenças neurodegenerativas, como as de Parkinson e de Pick. É a mais comum das formas de demência. A atrofia cerebral é generalizada.

Neurônios saudáveis a direita e neurônios com Alzheimer a esquerda.

Cérebro normal a direita e cérebro com Alzheimer a esquerda.

Tratamento

A atrofia cerebral pode ser demonstrada por tomografia computadorizada ou ressonância magnética, através da imagem de alargamento dos sulcos dos giros cerebrais. Na DA, os níveis do neurotransmissor acetilcolina são baixos, o que provavelmente acarreta perda de memória.

Embora a DA não possa ser curada, revertida ou interrompida, muito se pode fazer para auxiliar tanto o paciente quanto sua família a viver com maior dignidade durante o transcurso da doença. Para que se atinjam tais objetivos, intervenções clínicas adequadas e serviços comunitários devem ser procurados. O tratamento deve ser direcionado aos sintomas apresentados pelo paciente, ao seu ambiente e ao sistema de apoio familiar. Intervenções específicas podem incluir ajudas de família ou de enfermagem domiciliar, o uso de terapias comportamentais e medicamentos. Estes podem aliviar sintomas conseqüentes ou concomitantes como ansiedade, depressão, agitação, delírios, alucinações, etc e diminuir a velocidade progressão da DA. Por tanto, o tratamento da doença tem dois aspectos: o primeiro trata de alterações de comportamento como agitação e agressividade, do humor como a depressão, que não devem ser feitas apenas por medicação, mas também por orientação de diferentes profissionais da saúde. O segundo, é o tratamento específico com drogas que podem corrigir o desequilíbrio químico no cérebro como a Tacrina, Revastigmina, Donepezil, Metrifonato, etc. Este tratamento funciona melhor na fase inicial da doença e o efeito é temporário, pois a DA continua progredindo paulatinamente.

 

O que é o mal de Alzheimer?

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© 2011 Alzheimer's Association.  www.alz.org.

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Fontes

- Organização Mundial de Saúde (coord.). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10. Diretrizes clínicas e diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

 

- RAINS, G. D. Princípios de neuropsicología humana. México, DF: McGraw-Hill Interamericana Ed., 2004.

 

- O Cérebro. A Viagem ao Cérebro explica o funcionamento do cérebro e como a doença de Alzheimer o afeta. Alzheimer´s Association. Disponivel em: http://www.alz.org/brain_portuguese/ Acessado em 11 de agosto de 2011.

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