Fundamentos em
Bio-Neuro Psicologia

Investigando o cérebro.

O cérebro é o ultimo órgão humano a revelar seus segredos. Durante muito tempo, as pessoas não entendiam nem mesmo para que serve o cérebro. A descoberta da anatomia, das funções e dos processo do cérebro tem sido uma longa e vagarosa viagem através dos milênios.

 

Exploração do cérebro:

O cérebro é difícil de ser investigado porque suas estruturas são minúsculas e seu funcionamento não pode ser observado a olho nu. Seu produto mais interessante – a consciência – não era percebido como um processo físico; por tanto, não havia razões para que nossos ancestrais a relacionassem ao cérebro. Mas nos últimos 25 anos com o advento das técnicas de imageamento, os neurocientistas conseguiram produzir um mapa detalhado do que já foi um território inteiramente misterioso.

 

Cronologia:

4000 a.C: Sumérios escrevem sobre a euforia provocada pela semente de papoula.

 

2500 a.C: A trepanação (abertura de orifícios do crânio) era um procedimento cirúrgico comum em diversas culturas. Possivelmente era usado para tratar transtornos cerebrais, como a epilepsia ou por razões rituais ou espirituais.

 

1700 a.C: Papiros descrevem detalhadamente o cérebro, mas os egípcios não o tem em alta conta; diferentemente de outros órgãos, era removido e descartado antes da mumificação, indicando que não se acreditava que seria útil nas encarnações seguintes.

 

450 a.C: Os gregos antigos começam a reconhecer o cérebro como centro das sensações humanas.

 

387 a.C: O filosofo grego Platão dá aulas em Athenas; ele acredita que o cérebro é o centro dos processos mentais.

 

335 a.C: O filosofo grego Aristóteles reitera a crença antiga de que o coração é o órgão superior; o cérebro, diz ele, é um radiador que impede o superaquecimento do corpo.

 

170 a.C: O medico romano Galena lança a teoria de que o temperamento e o caráter humanos são decorrentes do quatro “humores” (líquidos mantidos nos ventrículos do cérebro). A ideia persistiu por mais de 1000 anos. A descrições de anatomia de Galeno, usadas por gerações de médicos, tiveram como base principal em macacos e porcos.

 

1543: Andreas Versalius, medico europeu publica o primeiro livro de anatomia (moderno) com ilustrações detalhadas do cérebro humano.

 

1649: Para o filosofo francês Renê Descartes, o cérebro é um sistema hidráulico que controla o comportamento. Funções mentais “mais elevadas” seriam geradas por uma entidade espiritual, que interagiria com o corpo e a glândula pineal.

 

1664: Medico de Oxford, Thomas Willis, publica o primeiro atlas do cérebro, localizando as diversas funções nos diferentes “módulos” do órgão.

 

1774: O medico alemão Franz Anton Mesme introduz “Magnetismo animal”, mais tarde chamado de hipnose.

 

1791: Luiz Galvani, físico italiano descobre a base elétrica da atividade nervosa fazendo a perna de uma rã se retorcer.

 

1848: Phineas Gage tem o cérebro perfurado por uma barra de ferro.

 

1849: O físico alemão Hermann Von Helmeholtz mede a velocidade da condução nervosa e subsequentemente desenvolve a ideia de que a percepção depende de “inferências inconscientes”.

 

1850: Franz Joseph Gall funda a frenologia que atribui diferentes traços de personalidade a áreas especificas do crânio.

 

1859: Charles Darwin publica a origem das espécies.

 

1862 – 1874: Broca e Wernicke descobrem as duas áreas principais da linguagem no cérebro.

 

1873: O cientista italiano Camilo Golgi publica o método do nitrato de prata, possibilitando a observação completa dos nervos. Ganha o Prêmio Nobel de 1906.

 

1874: Carl Wernicke publica o seu trabalho sobre afasia “distúrbios de linguagem após lesão cerebral.”

 

1889: Santiago Ramón y Cajal, em A doutrina do neurônio, propõe que os neurônios são elementos independentes e unidades básicas do cérebro. Divide o Prêmio Nobel de 1906 com Camilo Golgi.

Por volta de 1900 Sigmund Freud abandona a neurologia ainda no inicio para estudar psicodinâmica. O sucesso da psicanálise freudiana ofuscou a psiquiatria fisiológica por meio século.

 

1906: Santiago Ramón y Cajal descrevem como os neurônios se comunicam. Ainda em 1906 Alóis Alzheimer descreve a degeneração pré-senil.

 

1909: Korbinian Broadman descreve as 52 áreas corticais distintas com base na estrutura neural. Essas áreas são utilizadas até hoje.

 

1914: O fisiologista britânico Henry Hallett Dale isola a acetilcolina o primeiro neurotransmissor descoberto. Ganha o primeiro Prêmio Nobel em 1936.

 

1919: O neurologista irlandês Gordon Morgan Holmes relaciona a visão com a córtex estriado (a córtex visual primário).

 

1924: Os primeiros eletroencefalogramas (ECG) são desenvolvidos por Hans Berger.

 

1934: O neurologista português Egas Moniz executa a primeira operação de leucotomia (conhecida como mais tarde por lobotomia). Ele também inventou a angiografia, uma das primeiras técnicas que captava a imagem do cérebro.

 

1953: Brenda Milner descreve o paciente H.M que perde a memória após remoção cirúrgica de porção da ambos os lobos temporais.

 

1957: W.Penfield e T.Rasmussen concebem os “homúnculos motor e sensorial”.

 

1970-80: Desenvolve-se a tecnologia de escaneamento do cérebro. Durante essa década surgem o PET SCAN o SPECT o IRM e o MEG.

 

1981: Roger Wolcott Sperry ganha o Prêmio Nobel pelo estudo das diferentes funções nos dois hemisférios cerebrais.

 

1983: Benjamin Libert escrever sobre a determinação do (“timing”) da volição consciente.

 

1992: Os neurônios espelho são descobertos por Giacomo Rizzolatti em Parma.

 

2009: A exploração prossegue e os grupos de pesquisa avançam continuamente para um entendimento maior.

 

 

 

Marcos da neurociência:

A maior parte do que sabemos do cérebro provém da pesquisa lenta e meticulosa de grandes grupos de pessoas, mas a neurociência é pontuada por grandes descobertas ou idéias em geral surgidas a partir de um trabalho de um único cientists. Algumas provaram mais tarde serem inovações valiosas.

Frenologia - Franz Joseph Gall

 

Gall acreditava que a personalidade podeia ser verificada apalpando-se o contorno do crânio. Segundo essa teoria, das diversas faculdades humanas localizadas no cérebro, as mais fortes eram as mais protuberantes, possibilitando a medição das saliências do crânio. A teoria foi muito popular no século XIX - quase todas as cidades tinham um instituto de frenologia, embora absurda no conjunto, a ideia de Gall acabou se tornando uma grande verdade. Técnicas de imageamento destinadas a localizar as funções cerebrais são frequentemente chamadas de frenologia moderna.

 

 

 

Cabeça frenológica.

Dizia-se que modelos como este mostravam as protuberâncias do crânio que revelavam o carater de uma pessoa. As categorias incluam "suavidade" ou "benevolência".

O homem que se perdeu - Phineas Gage

 

Este educado e benquisto supervisor de obras ferrovias americano passou por uma transformação, tornando-se agressivo e desrespeitoso depois que teve parte do cérebro destruída em um acidente. O estudo deste paciente demonstrou que faculdades como o juízo moral e social podem estar localizados no lobos frontais.

 

 

 

 

 

 

 

Lesão Fatídica

Essa ilustração do crânio de Phineas Gage mostra como a barra de ferro lesionou os lobos frontais.

Áreas da linguagem - Broca e Wernicke

 

Em 1861, o médico francês Paul Broca descreveu o caso de um paciente que chamou de "Tan", pois essa era a única palavra que ele falava. Quando Tan morreu, Broca examinou seu cérebro e descobriu uma lesão na porção interior do córtex frontal esquedo. Essa parte do cérebro passou a se chamada "Área de Broca". Em 1876 o neurologista alemão Carl Wernicke descobriu que a lesão na porção posterior do lobo temporal do hemistério cerebral esquerdo, a Área de Wernicke, também causava problemas de linguagem. Os dois cientistas foram os primeiros a definir com clareza áreas funcionais do cérebro.

Primeiros implantes cerebrais - José Delgado

 

O neurologista espanhol José Delgado inventou um implante cerebral que podia ser controlado remotamente por ondas de rádio. Numa famosa experiência, realizada em 1964. Delgado enfrentou um touro fazendo com que ele parasse ativando o implante no cérebro do animal. Em outras experiências colocou o dispositivo no cérebro de um chimpanzé que intimidava um companheiro. Delgado colocou o controle na gaiola do chimpanzé- vitima, que o usou para "desligar" o mau comportamento do outro.

 

 

Delgado e o touro

Mapeando o cérebro - Wilder Penfield

 

Os primeiros mapas detalhados da função cerebral humana foram feitas pelo neurocirurgião canadense Wilder Penfield. Ele trabalhou com paciente submetidos a cirurgia para o controle de epilepsia. Enquanto o cérebro estava exposto e o paciente consciente, Penfield investigava o córtex com um eletrodo e observava a resposta do paciente enquanto tocava em cada uma das partes. O trabalho de Penfield foi o primeiro a revelar o papel do lobo temporal na memória e a mapear as áreas do córtex que controlam o movimento e fornecem as sensações ao corpo.

 

 

 

Lobotomia - Egas Moniz

As primeiras lobotomias foram excutadas na década de 1980, mas realizada em larga escala somente a partir dos anos 1950 quando o neurologista português Egas Moniz descobre que a interrupção dos nervos que vão do córtex frontal ao talamo alviava os sintomas psicóticos em alguns de seus pacientes. O trabalho de Muniz foi aproveitado pelo cirurgião americano Walter Freedman, que inventou a "lobotomia com o furador de gelo". Entre a década de 1936 e 1950, ele defendia o uso da lobotomia como cura para uma série de problemas entre 40 mil e 50 mil pacientes foram submetidos a ela. A operação foi usada de maneira discriminada e hoje em dia é considerada um processo ultrapassado. Em muitos casos ela, no entanto, ela amenizou o sofrimento; o acompanhamento de pacientes submetidos à lobotomia na Grã-Bretanha mostrou que 41% estavam "recuperados" ou tinham "melhorado bastante", 28% "haviam melhorado minimamente", 25% "não apresentaram mudanças", 4% morreram e 2% pioraram.

 

Formação da memória - Henry G. Molaison

Em 1953, aos 27 anos "HM" foi submetido a uma cirurgia nos EUA para tratar de uma epilepsia grave. Os cirurgiões, que na época desconheciam as funções do hipocampo, retiraram uma grande parte dele. O paciente se tornou incapaz de formar novas memórias até o fim da vida. Esse acidente trágico demonstrou o papel crucial do hipocampo na memória.

 

 

Congelado no tempo.

Henry G. Molaison - geralmente conhecido apenas como "HM" - foi um dos pacientes mais estudados na história da medicina moderna.

Experiências com o cérebro bipartido - Roger Sperry

 

O neurobiologo Roger Sperry conduzio as experiências do cérebro bipartido em pessoas cujo os hemisférios foram separados cirurgicamente durante o tratamento para epilepsia. Elas demonstraram que sob determinadas condições, cada hemisfério pode abrigar pensamentos e intensões diferentes. Isso suscitou a profunda questão sobre ser uma única pessoa, ter um único "eu".

 

 

 

Roger Sperry com o Prêmio Nobel de 1981

Decisões conscientes - Benjamin Libet

 

Uma série de experiências geniais desenvolvidas pelo neurocientista americano Benjamin Libet no começo da década de 1980 demonstrou que o que pensamos serem atos de 'decisões" conscientes são, na verdade, apenas o reconhecimento do que o cérebro inconsciente já está fazendo. As experiências de Libet têm profundas implicações filosóficas, porque os resultados sugerem que não temos uma escolha consciente sobre o que faremos e, portanto não temos livre arbítrio.

 

 

Roger Sperry com o Prêmio Nobel de 1981

Neurônios-espelho - Giacomo Rizzolatti

 

Os neurônios-espelhos foram descobertos por um grupo de pesquisadores da Italia, liderados por Giacomo Rizzolatti, monitoravam a atividade neural no cérebro de macacos que faziam movimento de se esticar. Um dia um pesquisador inadvertidamente imitou o movimento do macaco enquanto este o observava e descobriu que a atividade neural no cérebro do macaco deflagrava em resposta à visão era idêntia a atvidade ocorrida quando o macaco fazia a ação. Alguns estudiosos acreditam que os neurônios-espelho sejam a base da teoria da mente, da imitação e da empatia.

 

Macaco imitador

Os neurônios-espelho provocam o mimetismo automático ao produzir no cérebro do observador um estado similar ao da pessoa que ele está observando.

Referências Bibliográficas:

 

MORAES, Alberto Parahyba Quartim de - O Livro do cérebro. Vol 1. São Paulo. SP, Editora Duetto - 2009. Pag 8 até 11.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fundamentos em Bio-Neuro Psicologia PUC-Rio - Todos os direitos reservados